Blog do Reinaldo Azevedo

"Não há nenhum pensamento importante que a burrice não saiba usar, ela é móvel para todos os lados e pode vestir todos os trajes da verdade. A verdade, porém, tem apenas um vestido de cada vez e só um caminho, e está sempre em desvantagem"
Robert Musil em "O Homem sem Qualidades"

Sábado, Agosto 05, 2006

A enquete


Vocês não podem passar sem uma enquete, já percebi. “Você acha que Lula fez bem em mandar uma carta à ONU apoiando o cessar-fogo?” Quem se importa com essas imaterialidades?. Vamos ao que tem peso:

Na Crítica da Razão Pura, Kant observa que a palavra “mundo”, “no sentido transcendental de totalidade absoluta do conjunto das coisas existentes”, indica uma totalidade incondicionada porque deve incluir todas as condições da série dos finitos reais.

a) Isso supõe que o regresso do condicionado à condição, que pode prosseguir infinitamente, seja esgotado e cumprido ate compreender todas as condições;
b) Se é pra complicar, eu chamo o Paulo Arantes;
c) Perguntarei a Marisa Letícia, agora que ela deu início a sua “inserção internacional”;
d) Isso tá mais complicado que a tradução que o Houaiss fez do
Ulisses;
e) Tomara que você sonhe com o Emir Sader

"Vão bater lata" — meu texto no Globo de hoje

Trechos do meu texto no Globo deste sábado: “Vou voltar ao tempo da minha catapora trotskista — todos temos direito a uma bobagem na vida. Eu me curei cedo. A crise no Brasil é de liderança. Só que não da classe operária, mas das elites, estejam onde estiverem: na academia, nos partidos, no jornalismo ou numa casinha de sapé. A capacidade de se dizer bobagem no país é superior à multiplicação de malabaristas em sinal de trânsito e de funkeiros e moleques que batem lata instruídos por ONGs. Se burrice fosse poesia, John Donne e Yeats seriam lidos nas esquinas. Se fosse música, nasceria um Mozart por dia; se fosse prosa, Machado de Assis seria o nosso escritor de segundo time. A esta altura, a esquerda, que agora aprendeu a ser otimista (ela era mais interessante quando odiava o capitalismo), já se pergunta: “Mas por que este reaça está tão pessimista? Confesso que fiquei um tanto chocado, constrangido até — é quando fico sem fala, o que é raro — com o debate lançado pelo Babalorixá de Banânia sobre uma Constituinte ad hoc para fazer a reforma política. A idéia, que classifiquei de “Golpe dos Juristas”, ganhou o assentimento de alguns luminares do direito e da universidade porque, vejam só, disse um deles: “Esse Congresso não faz nada mesmo.” Um dos medalhões do colunismo político saudou em seu jornal: ‘Finalmente, Lula teve uma boa idéia.’ Ives Gandra, com quem concordo em muita coisa, disse “sim”, mas fez uma exigência: ‘Há de ser uma Constituinte sem políticos.’ Pensei em subir algum morro no Rio ou ir para a periferia de São Paulo para me juntar a Regina Casé e também bater lata.” Clique aqui para ler mais

Água no feijão, que chegou mais um...

No Painel de hoje da Folha:
"Mais um.
Tanto no depoimento de quinta quanto na nova conversa com membros da CPI, ontem, Luiz Antonio Vedoin disse que o petista José Airton Cirilo contatou o prefeito de Campinas, Doutor Hélio (PDT), para montar um esquema de fornecimento de ambulâncias ao município.
Pistas.
De forma cifrada, Vedoin filho sugeriu aos membros da CPI investigar emendas no Ministério do Turismo e máfias que atuariam na venda de medicamentos para o governo com notas frias
." Para ler todo o Painel, clique aqui

E Dunga é a Supernanny da Seleção...

E por falar em Supernanny (ver nota abaixo sobre a coluna de Diogo Mainardi), é o que Dunga promete ser na Seleção Brasileira em entrevista nas páginas amarelas da Veja. Huuummm, não sei, não... Leia pergunta e resposta.
"Veja Você andou dizendo que vai se inspirar na lição das mães para esse trabalho na seleção. O que significa isso exatamente?
Dunga – Costumo falar nas minhas palestras que a gente sempre busca um líder na política, na guerra, nas batalhas, mas no fundo o maior líder que a gente pode encontrar é a nossa mãe. Porque quem tem mais paciência nos momentos mais turbulentos de uma família? É a mãe, a mulher. Quem mais quer que seu marido, seus filhos, se dêem bem na vida? É a mãe. Quem tem mais paciência do que uma mãe? Nos momentos mais difíceis da vida, a mãe sabe usar sua autoridade. E sempre na hora certa." Íntegra da entrevista para assinantes

Diogo de volta ao jornalismo cultural? Será?

“Agora que Lula acabou”, Diogo Mainardi se vê algo tentado a voltar para o jornalismo cultural. Será que ele suporta? Afinal, “Cultura é o tema mais rasteiro que há. Entretenimento vem em segundo lugar. Passei os últimos quatro anos simulando interesse pela bestialidade lulista, engolindo minha repulsa por ele. Foi só por isso: para me afastar temporariamente da cultura.” Mas ele faz uma primeira (re)incursão e esbarra no jornalista Marcelo Coelho, no “cineasta petista Jorge Furtado” e no cantor e compositor Caetano Veloso. Alguns trechos:
“Posso garantir que Marcelo Coelho tem infinitamente mais a dizer sobre filhos malcriados do que sobre Stendhal. Com admirável habilidade, ele soube dar um novo rumo à sua carreira. Marcelo Coelho virou a Supernanny da imprensa
“Na matéria do Globo, Furtado diz que fez cinco campanhas para o PT. Depois se desiludiu com a política. (...) O Globo é como eu. Fala sobre Lula só para tentar escapar das estreitezas da cultura. Se cultura é Furtado, melhor falar sobre Lula.
“Tenho medo de Caetano Veloso. Ele cisma comigo. Vai acabar me dedicando uma música. Quando isso acontecer, todo mundo vai me apontar na rua e dizer: "Olha lá o novo Menino do Rio, olha lá o novo Leãozinho, olha lá a nova Tigresa". Assinante de Veja lê mais aqui

Lula sobre Fidel: "Parece que vamos perder nosso amigo". "Nosso" quer dizer "dele", é claro...

Por Kennedy Alencar, na Folha deste sábado: “Autoridades cubanas transmitiram nesta semana ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a membros da cúpula do PT a informação de que o estado de saúde de Fidel Castro, 79, submetido a uma cirurgia na segunda-feira, é pior do que admitem publicamente. Mais: disseram que o ditador pode ficar inabilitado para retomar o poder real, ainda que se recupere da doença -um tumor maligno no abdômen, segundo a versão com a qual o governo brasileiro trabalha. Desde a noite de segunda-feira, quando a cirurgia provocada por um sangramento no intestino foi anunciada em nota assinada por Fidel e lida no rádio e na TV oficiais da ilha, o governo cubano não divulgou informações detalhadas sobre o estado de saúde dele.A falta de informação foi justificada pelo próprio Fidel, numa segunda nota atribuída a ele e divulgada na terça, pela necessidade de o país proteger-se do inimigo externo (os EUA). ‘Parece que vamos perder o nosso amigo’, disse Lula a um auxiliar, depois de ser informado da gravidade do estado de saúde do ditador, segundo a Folha apurou.” Clique aqui para ler mais

Relator diz que pedirá quebra de sigilo de 90

Por Expedito Filho e Eugênia Lopes no Estadão deste sábado: “O relator da CPI dos Sanguessugas, senador Amir Lando (PMDB-RO), informou que pedirá a quebra do sigilo de 90 deputados e de todos os assessores que foram acusados de receber depósitos em dinheiro dos empresários Luiz Antônio e Darci Vedoin no escândalo dos sanguessugas. O pedido será apresentado pelo próprio senador no início da próxima semana, durante reunião administrativa da CPI. Será uma maneira de tentar provas mais robustas contra os envolvidos. No momento, 15 dos notificados pela CPI devem ser poupados no relatório preliminar que será apresentado na próxima quinta. Em novo depoimento à comissão ontem, Luiz Antônio Vedoin reiterou acusações contra 75 parlamentares e comprometeu-se a entregar, na terça-feira, novas provas contra ‘dois ou três’ dos congressistas já citados nas investigações. No caso de mais de uma dezena de parlamentares, só novas diligências poderiam gerar provas. ‘Infelizmente é uma minoria que, neste momento, está inocentada’, disse o sub-relator de sistematização, Carlos Sampaio (PSDB-SP). O relator Amir Lando acredita que a quebra de sigilo também é a única forma de coletar dados para a elaboração de um relatório consistente.” Clique aqui para ler mais

Mais um mafioso acusa governador do PT

Por Fausto Macedo e Sônia Filgueiras no Estadão deste sábado: “Mais um membro da máfia das ambulâncias detalhou à Justiça Federal encontros que a quadrilha manteve com o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), para tratar de licitação destinada à compra de carros e equipamentos hospitalares no valor de R$ 14 milhões. O empresário Darci Vedoin confirmou os relatos de Ronildo Pereira de Medeiros e Luiz Antônio Vedoin à Justiça, contestando o governador, que nega ter havido reuniões com a cúpula da Planam. O acesso a Dias - segundo os empresários, ouvidos em julho pela Justiça de Cuiabá - foi facilitado pelo ex-presidente do PT no Ceará José Airton Cirilo. Investigações da PF e da CPI dos Sanguessugas atribuem a Cirilo o papel de braço da máfia no Ministério da Saúde, prefeituras e governos estaduais. Segundo Darci, Dias ‘tinha conhecimento de que a licitação era dirigida’. Ronildo disse que esteve no gabinete do governador ‘duas ou três vezes para tratar dos projetos e licitações’ e na primeira reunião ‘pôde perceber a facilidade com que chegaram’ a ele. E anotou que ‘José Caubi Diniz e Raimundo Lacerda (lobistas parceiros de Cirilo)tinham trânsito no gabinete’.” Clique aqui para ler mais

Bens de petista crescem quase cinco vezes

Há petista mais eficiente do que Lula para multiplicar os bens. Por Carmen Pompeu no Estadão deste sábado: “Oficialmente, o patrimônio do membro do Diretório Nacional do PT José Airton Cirilo, apontado como o intermediário no esquema dos sanguessugas - que comprava ambulâncias superfaturadas com recursos do orçamento da União - cresceu quase cinco vezes desde 2002, quando disputou o governo cearense, até agora, quando tenta uma vaga de deputado federal. Em 2002, a Justiça Eleitoral não cobrava os valores dos bens dos candidatos. Contudo, apesar de ele ter se desfeito apenas de um terreno em Icapuí, sua cidade natal, no limite do Ceará com o Rio Grande do Norte, e de uma Hilux ano 2001, os bens declarados por ele só cresceram.” Clique aqui para ler mais

Na agenda de governador do PT, chefe da máfia

Por Chico de Gois,no Estadão de hoje: “A agenda do governador do Piauí, Wellington Dias (PT), registra uma audiência, no dia 9 de junho de 2003, com o proprietário da Planam, Darci Vedoin. De acordo com o documento, disponível no site do governo do Piauí, a reunião com o homem acusado de participação em um esquema de venda superfaturada de ambulâncias, por meio de emendas parlamentares e licitações dirigidas, estava marcada para as 12 horas daquele dia. O governador, no entanto, disse em entrevista ao Estado que o encontro entre eles não ocorreu. "O pessoal da minha agenda lembrou que teria sido marcada uma audiência, que teria sido solicitada em determinado momento e depois teria sido desmarcada", afirmou Dias. Em depoimento à CPI dos Sanguessugas, anteontem, Luiz Antônio Vedoin, filho de Darci, declarou que teve três encontros com o governador do Piauí para tratar de um suposto direcionamento em processo de licitação. Segundo Luiz Antônio, os encontros teriam ocorrido no gabinete da Casa Civil do governo do Estado, em 2003 e 2004. O empresário não falou em dinheiro.” Clique aqui para ler mais

Brasileiros no Hezbollah: a impressionante e apavorante apologia dos que morrem com um sorriso no rosto...

A reportagem mais impressionante sobre a guerra no Oriente Médio está na Folha deste sábado. Ibrahim Saleh, 17 anos, filho de mãe brasileira e pai libanês, com dupla nacionalidade, morreu nas fileiras do Hezbollah. Um míssil atingiu o carro em que ele estava. A família está triste? Não! A mãe se confessa feliz porque disse que o filho queria morrer lutando. Zeina Kourani, paulista de Itapevi, tia do rapaz, que agora vive na cidade de Tiro, repete um velho mito do terrorismo islâmico: "Disseram-nos que ele tinha um sorriso nos lábios quando foi encontrado morto". Vai ver já havia se encontrando com as 70 virgens na barranca do rio de leite e mel... Como se vê, está todo mundo feliz, e há mais gente da família nas fileiras terroristas. Leia um trecho da reportagem de Marcelo Ninio: “Embora tivesse passaporte brasileiro, Ibrahim jamais foi ao país natal da mãe. Foi criado em Tiro, cidade dominada pelo Hizbollah -como todo o sul do Líbano. Nunca teve dúvidas do que queria. Segundo a família, ele não chegou nem a fazer planos para quando terminasse os estudos. Não pensava em faculdade ou profissão. Sua idéia fixa era juntar-se ao Hizbollah. Mais que isso: sonhava em morrer no campo de batalha. ‘Ele sabia que ia morrer assim, por isso nunca fez planos para quando crescesse’, diz a tia, com voz calma.” Para ler a reportagem, clique aqui. Para ler depoimento de sua mãe dizendo por que está tão satisfeita, clique aqui. Pô, esse pessoal do Hezbollah, sem qualquer trocadilho, é fogo. Acho que essa gente não leu a Epístola de São Lula aos Corintianos (ver abaixo) afirmando que esse papo de guerra não tá com nada. Estou começando a achar que esse negócio de que o Islã é pacífico, mas os islâmicos é que não são é menas verdade..

CPI deve pedir a cassação de 50 parlamentares

Por Ranier Bragon e Adriano Ceolin na Folha deste sábado: “Após ouvir pelo segundo dia consecutivo o sócio da Planam Luiz Antonio Vedoin, a CPI dos Sanguessugas sinalizou ontem que, ao apresentar seu relatório, na próxima quinta-feira, dividirá os cerca de 90 parlamentares acusados em três grupos: os que têm contra si "provas robustas", os que são alvos de provas ainda inconclusas e aqueles contra os quais não há evidências de participação. A Folha apurou que a tendência hoje é reunir cerca de 50 parlamentares no grupo das ‘provas robustas’, outros 25 na categoria dos que exigiriam aprofundamento das investigações e 15 na dos inocentados. ‘Há uma variação, há aqueles contra os quais há provas exuberantes, provas suficientes, e há aqueles com provas ainda claudicantes de participação no esquema’, disse o relator Amir Lando (PMDB-RO). ‘Vedoin trouxe provas robustas e consistentes contra a maioria deles; infelizmente, somente uma minoria será inocentada nesse episódio’, afirmou o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), responsável por esquematizar as provas contra os acusados. Em relação aos 50 parlamentares com situação mais complicada, há provas documentais (depósitos da quadrilha na conta pessoal, de parente ou de assessor) e testemunhais "contundentes". Para esse grupo, será pedida a cassação." Clique aqui para ler mais

Tucanos arrecadam mais que PT. Será mesmo?

Na Folha deste sábado, há uma reportagem de Rogério Pagnan e Catia Seabra sobre arrecadação de fundos de campanha. Consta que os tucanos arrecadaram mais dinheiro do que os petistas. Tá bom. Acredito na reportagem. Mas me reservo o direito de duvidar das declarações de arrecadação que os petistas fazem. Vocês querem que eu diga por quê ou não precisa?. Um trecho da reportagem e o link: “Com uma captação de recursos para a campanha de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva abaixo do esperado, o PT anunciou ontem uma série de medidas para ‘massificar’ as formas de doações, incluindo um 0800, similar ao ‘Criança Esperança’ da Rede Globo, pelo qual o simpatizante poderá doar entre R$ 5, R$ 10 e R$ 20. Enquanto isso, no PSDB, o comando da campanha de Geraldo Alckmin comemora a arrecadação de R$ 15 milhões até o dia 10, segundo compromissos de doadores. Essa era a expectativa de receita para todo o mês de agosto." Clique aqui para ler mais

Para impugnar a eleição de suspeitos

Por Isabel Braga, no Globo deste sábado: “O procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, enviou ontem a todos os procuradores regionais eleitorais petição do líder do PDT, deputado Miro Teixeira (RJ), alertando para a necessidade de colher provas que permitam ajuizar ações de impugnação de mandato de eleitos envolvidos em escândalos de corrupção. Com provas irrefutáveis de corrupção, o Ministério Público pode entrar com uma ação para tentar impedir a posse dos eleitos. Segundo a assessoria de Antonio Fernando, o procurador não tratou do mérito da petição de Miro, que ainda aguarda julgamento do Tribunal Superior Eleitoral. Apenas distribuiu o assunto para que cada procurador tome as providências que considerar cabíveis nos estados.” Clique aqui para ler mais

Sexta-feira, Agosto 04, 2006

Serra, agricultura, câmbio e frufru

"Pratica-se uma política cambial suicida para o setor, que faz com que, para boa parte das atividades, o custo de produção seja maior do que o preço. Isso vai provocar uma contração da oferta no ano que vem na agricultura. Nesse momento, o governo federal fatura eleitoralmente a desgraça da agricultura, com os preços para baixo. No ano que vem, o país inteiro vai pagar o preço dessa fatura.” Foi o que afirmou o candidato do PSDB ao governo de São Paulo, José Serra, durante um encontro em Campinas com 200 empresários do setor rural. Se eleito, disse ele, vai “amolar a paciência da máquina federal se ela não cumprir com suas obrigações". Como o PT gosta de comparações, Serra fez uma que talvez seja incômoda, sobretudo porque verdadeira. No governo FHC, a área plantada cresceu 33%; na gestão Lula, caiu 7,7%. O setor agrícola foi o que mais sofreu no governo do PT. De principal responsável pelo superávit na balança comercial, chegou, em quatro anos, perto da insolvência.
FRUFRU — Antes, numa caminhada pela cidade de Sumaré, Serra desdenhou da proposta de uma constituinte para fazer a reforma política, idéia que Lula classificou de genial: “É frufru para ocupar o noticiário”.

A Parte e O Todo - A pesquisa e o que fazer

Fiquei devendo, conforme o prometido, uma análise mais cuidadosa dos números da pesquisa CNI-Ibope. Certos ou não — há no mercado um excesso de pesquisas para muitas margens de erro... —, a verdade é que, no atacado, eles apontam o que todos já sabemos. Houvesse um corte regional ali, constataríamos que Lula continua na liderança disparada no Nordeste e vai perdendo votos à medida que caminha para o Sul. As urnas refletem as escolhas que ele fez. Escolheu os pobres? Não. Escolheu, para voltar a um termo que cravei faz tempo em Primeira Leitura, o pobrismo — que é coisa muito diferente.

Escolher os pobres implicaria fazer opções econômicas e macroeconômicas que 1) levassem ao crescimento sustentado da economia; 2) criassem as devidas condições para que cidadãos livres fizessem escolhas livres, o que se consegue com a expansão do mercado de emprego e do consumo e com a ampliação das liberdades públicas. Brasileiros se tornando indivíduos, eis a saída. É claro que não basta bater a varinha de condão e decretar: “Cresce, economia”. São necessárias algumas condições objetivas para tanto.

Estão dadas no Brasil? Em parte, sim; em parte, não. O país poderia estar crescendo mais fosse outro o arranjo a que Lula teve de se atrelar para vencer o déficit de confiança com que chegou ao poder. Optou por uma ortodoxia pobre, desprezou alguns fatores indutores do crescimento — na suposição até realista — de que não seriam bem vistos pelo mercado e conseguiu, em 2006, pagar os juros reais que eram pagos em 2002, quando o risco país será 7 vezes maior, se exportava a metade do que se exporta hoje e se devia muito mais. O crescimento não é sustentado porque o investimento é baixo e porque há uma certa lógica fetichista segundo a qual a economia não pode operar com juros abaixo de dois dígitos. Ou vem a inflação. A última ata do Copom já deu um aviso.

Lula fez o quê? Optou por se abraçar à boa reputação que essa ortodoxia heterodoxa lhe rende junto a alguns setores, enquanto investiu pesadamente numa política assistencialista, que transformou a miséria extrema do país em clientela. Sua ampla vantagem no Nordeste, entre os que ganham até um mínimo e entre os menos escolarizados também se traduz pela dianteira entre aqueles que não têm informação. A miséria produz ignorância e serve à mistificação.

Nessas horas, os que teorizam malandramente sobre a democracia costumam indagar: “Ah, então você sugere uma democracia sem maiorias?” Não. A democracia é o regime sustentado pelas maiorias, mas há sempre uma minoria — sim, isso mesmo — que vela por ela. Quem duvidar disso que vá fazer uma pesquisa de opinião pública para saber como o povo gostaria de ver tratados os criminosos. Ou qual foi o destino da República de Weimar. Não, o povo não precisa de guias, mas de instituições sólidas.

O programa Bolsa Família de Lula — olhem eu e Heloísa Helena juntos! — o que faz é eternizar a miséria, uma vez que se estabelecem as portas de entrada, mas não as de saída. O dinheiro consumido na sua manutenção, com um desemprego mantido acima dos 10% — 17% na Grande São Paulo —, se transforma numa máquina eleitoreira muito difícil de ser vencida. Somam-se a isso políticas que concorrem para desistitucionalizar o país, como as cotas raciais nas universidades ou o ProUni (injeção de populismo na veia), e temos o resultado eleitoral que ora se apresenta. Boa parte dos formadores de opinião, rudimentarmente esquerdistas, concordam com esse assistencialismo bocó. Sentem aplacadas as suas culpas.

É nesse sentido que Lula “chavizou” o Brasil, para felicidade e gáudio dos petistas, que podem olhar para os números e se orgulhar: “Lula está com os pobres; Alckmin, com os ricos”. Mas Lula está também, e ele o confessou, com o mercado financeiro. Na sua glossalalia, diz que não precisou de Proer. Era só o que faltava: com os juros reais que ele paga, há vários “Proers” aplicados ao mesmo tempo. Lula oferece a oportunidade fantástica do capitalismo sem risco.
Enquanto isso, os setores médios da sociedade vão tendo seus salários esmagados, e a diminuição da distância entre os mais e os menos aquinhoados — estamos falando de estratos da classe média — diminui. Redistribuição de renda? Não. Diminuição da renda de quem ganha mais. Os empregos que o governo Lula gerou, ficará claro em algum momento, derivam da demissão de quem ganhava mais para a contratação de gente recebendo menos.

O marketing social do governo, no entanto, tem-se mostrado muito competente até aqui, ainda que o país assista a uma corrupção inédita, seja na variedade, seja na intensidade. Isso quer dizer que Lula já venceu o pleito e que nada há a fazer? Não. Não quer dizer. Mas está claro que vencê-lo é tarefa das mais difíceis. Sobretudo porque o PT, ao longo dos anos, em particular dos últimos quatro, aparelhou o Estado como nunca se viu. É uma experiência inédita no país. Faltam-nos história e aporte teórico para avaliá-la.

Estou absolutamente convencido de que a disputa com Lula e com o PT tem de se dar no terreno da política. Identificar as razões de sua força não basta para apontar o seu ponto mais vulnerável. E ele está justamente na questão ética. Pouco adianta que Alckmin ou qualquer outro oposicionista evidenciem que o modelo de “bem-estar” de Lula tem pés de barro. Trata-se, para a larga maioria das pessoas, de uma abstração. Um candidato de oposição terá, sim, de apontar as falhas do governo; terá, sim, de se identificar com esses setores médios que estão vendo esmagado o seu poder de compra ou que estão, efetivamente, perdendo salário; terá, sim, de demonstrar que o PT, do ponto de vista administrativo, produz ruína. Mas, acima de tudo, é forçoso que se apele à vergonha na cara.

Os mais céticos, lulistas e antilulistas, dirão que isso é bobagem: afinal, ninguém votaria contra a sua situação objetiva, já que a vida teria melhorado para essa maioria que ainda está com Lula. Em alguns casos, é verdade. Mas melhorou muito menos do que poderia se o governo soubesse para onde vai e se não tivesse o permanente déficit de credibilidade. Mas, ainda aqui, estamos tratando de prefigurações, de futuros e prognósticos que são pura imaterialidade.
Já a corrupção, o desmando, a violência crescente a perda de perspectiva de futuro de amplas camadas, bem, isso tudo é verdade fácil de evidenciar. Tanto é que, onde a economia é mais dinâmica e onde se exige um pouco além do simplesmente “ir vivendo” — como uma germinação espontânea —, Lula é derrotado. Perde para o que não fez, mas perde também para o que fez: o governo mais corrupto de nossa história.

Pobre também tem vergonha na cara, nunca será demais lembrar. É preciso que se evidencie que não há Bolsa Família que justifique tanta lambança. É preciso que se explicitem os reais ganhadores — econômicos e morais — das opções feitas por Lula até aqui. As urnas que estão aí, na configuração atual, são tudo aquilo com o que o PT sempre sonhou; era essa gente que o partido queria conquistar quando se dizia “de massas”. Para ganhar ou para perder as eleições, as oposições têm de ser implacáveis. O Brasil precisa de um novo gerenciamento e de mais competência. Mas também precisa de um outro norte ético. É isso o que tem de ir parar na campanha.

Lula está e sempre esteve disposto a tudo, resguardada a sua profissão de fé conservadora na economia, para não perder o poder. A proposta de uma constituinte para fazer a reforma política é a melhor prova disso. Seu partido tentou comprar o Congresso. Não deu inteiramente certo. Agora, ele quer um só para ele — e assim volta às origens. O mesmo Tarso Genro que está brincando de Constituinte foi o titular do natimorto conselhão, lembram-se? A miséria sempre tem um custo orçamentário; se explorada eleitoralmente, também tem um custo institucional.

Alckmin: "Todo mundo sabe onde está o malandro"

Alckmin fez hoje, em Pernambuco, um discurso absolutamente adequado ao que aponta a pesquisa CNI-Ibope. Segundo o levantamento, a principal característica que deve ter o futuro presidente da República é a honestidade, o que faz supor que a maioria dos brasileiros considera que a corrupção é um problema grave no país: “Será possível que ninguém sabe das coisas? Não sabe que, no Ministério da Saúde, tem pessoas mal intencionadas, fazendo jogo de empresas de parlamentares? Você não conhece os deputados, não conhece seus ministros? Não sabe o que se passa no governo? É muita inocência achar que ninguém, ninguém, viu. Todo mundo sabe onde está o malandro”. Os termos são surpreendentemente duros. Ele voltou a criticar a esdrúxula proposta de se instalar uma constituinte para fazer a reforma política: “Não há nenhuma necessidade para fazer nova constituinte para pôr ladrão na cadeia". Alckmin apresentou o projeto Novo Nordestes no teatro Beberibe, em Olinda. O programa prevê 14 medidas, incluindo a recriação da Sudene. Leia mais no Estadão on line clicando aqui

A carta ridícula e insultuosa a Israel; o "Pestana" da América Latina não sabe, à diferença do outro, que é medíocre

Desde a Primeira Epístola de São Paulo aos Coríntios, Oriente e Ocidente não eram confrontados com tamanha profundidade e capacidade de análise. Eu me rendo. Lula é um gênio. Como no capítulo 13 (!) da Epístola, ele lembra ao mundo que, sem amor, não há solução. Ele repudia o terrorismo, claro, mas também a reação desproporcional de Israel. Tocar nesse assunto quando, a despeito da dureza dos ataques israelenses, o Hezbollah ainda faz número recorde de vítimas civis é indecente. Mas o nosso santo segue adiante. Reparem na carta — que alguma cavalgadura diplomática escreveu para ele: só há mortos civis no Líbano. Não se toca nos civis de Israel. Depois de defender o “amor”, ele faz o que São Paulo jamais faria: tirar uma casquinha oportunista do confronto. O santo era rígido demais, mas não Lula, que nada tem de beato. Não se solidariza com as famílias que estão sendo vítimas dos Katyushas do Hezbollah, mas apenas com as dos observadores da ONU, mortos por engano por Israel. Ele quer se fazer de importante na ONU. Lula é um prodígio: a morte culposa merece a sua condenação veemente; a dolosa, ele ignora. Quem mata sem querer, para este moralista, merece a censura; quem mata por indústria, compreensão. São Paulo dizia que, em parte, “conhecemos” (o mundo ou o mistério de Deus), “em parte, profetizamos”. Lula, como se vê, não conhece. E tem o dom profético de um mandacaru quando propõe que se possa “buscar um acordo que forneça as bases para uma paz negociada, justa e duradoura entre Líbano e Israel.” Israel não está em guerra com o Líbano, mas com o Hezbollah, um grupo terrorista, que nem mesmo é citado na carta do Apedeuta. O texto, escrito pelo Itamaraty, é inoportuno, extravagante e insultuoso ao Estado democrático de Israel, cuja ação de defesa é igualada à de terroristas. Quem faz Lula pagar um mico desse tamanho e se dar tal importância? Ele é o Pestana da América Latina, aquela personagem do conto Um Homem Célebre, de Machado, que queria fazer sinfonia e só fazia polca. Com uma diferença: Pestana sabia que era medíocre; Lula, com efeito, acredita que é um gênio; Lula, infelizmente, acredita ser realmente... Lula: o operário predestinado do Terceiro Mundo a salvar a humanidade. O máximo que ele consegue é falar uma língua estranha! Se essa porcaria chegar a ser notícia em algum lugar do mundo, rirão da nossa cara.

Epístola de São Lula aos corintianos

O mundo aguardava ansioso um pronunciamento de Lula sobre o conflito no Oriente Médio. Só se falava de outra coisa. E ele, finalmente, veio a público. Segue abaixo. Comento na nota acima:

“Senhor Secretário-Geral,

O povo brasileiro vem acompanhando com extrema preocupação os acontecimentos no Líbano. Como Vossa Excelência sabe, o Brasil congrega o maior número de libaneses e seus descendentes fora daquele país.

No Líbano, reside expressiva comunidade de nacionais brasileiros. Igualmente, há importante comunidade judaica no Brasil, bem como numerosos brasileiros em Israel.

É para nós motivo de orgulho e satisfação a convivência harmoniosa entre judeus e árabes em nosso país.

O Brasil se sente diretamente atingido pela violência contra civis na região, que vitimou sete cidadãos brasileiros, inclusive crianças.

Repudiamos o terrorismo, não importa sob que justificativa, mas não podemos deixar de condenar, nos termos mais veementes, a reação desproporcional e o uso excessivo da força que tem resultado na morte de grande número de civis, inclusive mulheres e crianças, e na destruição da infra-estrutura do Líbano.

Foram igualmente motivo de profunda consternação os ataques que levaram à morte de quatro observadores da Unifil. Aproveito a oportunidade para transmitir meus sentimentos de pesar e solidariedade com as famílias das vítimas e todo o pessoal das Nações Unidas.

Associo-me a seus apelos por um cessar-fogo imediato, como condição necessária para que se possa buscar um acordo que forneça as bases para uma paz negociada, justa e duradoura entre Líbano e Israel.

É fundamental que o Conselho de Segurança aja com celeridade com vistas a pôr fim ao conflito.

O Brasil estende seu apoio a iniciativas diplomáticas que contribuam para a cessação imediata das hostilidades. O Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, está mantendo contatos com diversos interlocutores sobre o tema.

Estou enviando para alguns países da região o Embaixador Extraordinário do Brasil para o Oriente Médio, Affonso Celso de Ouro-Preto, com vistas a expressar o apoio brasileiro a uma solução para o conflito.

Aproveito para renovar meus votos de elevada estima e distinta consideração."

CNI-Ibope 7 - Rejeição e potencial de crescimento

Tive de parar um pouco para escrever meu artigo semanal no Globo. Voltando. A rejeição a Lula aumentou de 28% para 32% (aquele terço do eleitorado anti-Lula, lembram-se?). No caso de Alckmin, ela caiu de 34% para 28%. Votam ou poderiam votar em Lula 64% dos entrevistados — eram 65% há um mês. No caso do tucano, esse número subiu de 42% para 52%. Há mais um indício aí de que existem indecisos que começam a migrar para o candidato tucano. Nesse caso, merecem menção também os números de Heloísa Helena: saltaram de 29% para 40% os que admitem a possibilidade de votar nela. Nesse caso, a importância do número é uma só: ela tem potencial de crescimento, o que ajudaria a levar a disputa para o segundo turno.

CNI-Ibope 6 - Íntegra

Para ter acesso à íntegra da pesquisa, clique aqui.

CNI-Ibope 5 - Pontos fracos de Lula: segurança, impostos e emprego; pontos fortes: saúde e educação e combate à pobreza

A pesquisa também faz uma avaliação da atuação do governo em diversas áreas. E, mais uma vez, existe caracterizada uma agenda: nada menos de 71% desaprovam a política de segurança pública — aprovação de apenas 24%. É um número espantoso. Existe, sim, aí o efeito PCC, mas essa reprovação, ao longo do tempo, nunca foi inferior a 56%. Em seguida, vem a reprovação à política de impostos: 69% contra apenas 22%, seguida pela política de emprego: 59% a desaprovam, contra 36% que consideram que o governo vai bem na área. Em quarto lugar lugar, merece censura a política de juros: reprovação de 57% contra 31%. No combate à inflação, há empate: 43% desaprovam, contra 42% que aprovam. O marketing social de Lula funciona: 60% dizem sim à política de combate à fome e à pobreza, contra 36% que a rejeitam. Aprovam a atuação do governo na saúde e educação 55%, contra 40% que não a consideram adequada.

CNI-Ibope 4 - Honestidade em primeiro lugar

E por onde começar a campanha na TV? Lula, sem dúvida, conta com algumas percepções do eleitorado que lhe são favoráveis. Mas há uma boa estrada pela frente para quem quer se opor a ele. Segundo a pesquisa CNI-Ibope, a principal qualidade que o próximo presidente da República tem de ter é “honestidade” (59%). Espero que o PSDB e o PFL tenham entendido o recado: Lula precisa ser ligado à sua obra. Em segundo lugar (41%), espera-se competência. Convenham: não é assim tão difícil desconstruir certas mistificações. Em terceiro (38%), espera-se que o sujeito conheça os problemas do Brasil. E, em quarto, mas muito distante das outras três, vem a preocupação com as questões sociais (17%). Ora, isso aponta para uma agenda de campanha.

CNI-Ibope 3 - Reprovação de mês do mensalão

Há alguns outros dados interessantes na pesquisa nos dias que antecedem o horário eleitoral. A maioria (52%) ainda confia no presidente Lula, mas expressivos 43% não confiam. A margem é bastante desconfortável. Lula só superou esse índice de desconfiança em setembro (51%) e dezembro do ano passado (53%). É um número idêntico a junho do ano passado, quando explodiu o escândalo do mensalão. Naquele mês, aliás, a confiança (54%) era maior do que agora. Em relação ao mês passado, a avaliação sobre o governo também piorou: ele era aprovado por 60% — agora, por 55%. E era reprovado por 34%; agora, por 36%.

CNI-Ibope 2 - Lula "chavizou" o Brasil

Há dados que eu classificaria de evidentes e outros de um tanto curiosos quando se verificam as preferências do eleitorado segundo categorias. Do ponto de vista social, não há dúvida de que Lula conseguiu “chavizar” o Brasil, opondo de forma óbvia a classe média aos muito pobres. Quando o assunto é escolaridade, Lula obtém o seu melhor resultado entre os que têm até o 4º ano do ensino fundamental: 54%; o seu pior desempenho está entre os universitários: 27%. Com Alckmin, ocorre o contrário: o seu melhor número se dá entre os que têm ensino superior (34%), e o pior, entre os de mais baixa escolaridade (19%). Mas que se note: percentualmente, o tucano não consegue, entre os de maior escolaridade, o mesmo sucesso que Lula obtém entre os de menor. Nesse quesito, ocorre uma coisa notável. A “socialista” Heloísa Helena atinge a marca máxima justamente entre os que têm curso superior (22%), e o menor entre os menos estudados (5%). É mais fácil o povão decorar a tabela periódica do que entender o socialismo... No caso da renda, verifica-se o mesmo: o melhor desempenho do petista está entre os que ganham até um salário mínimo: 58%, e o pior, entre os que recebem mais de 10 (28%). Com o tucano, o inverso: obtém o melhor índice entre os que recebem mais de 10 (42%), e o pior (16%) entre os que ganham até um salário. Isso requer análise. Daqui a pouco.

CNI-Ibope 1 - quem comemora o quê

Não é novidade. Vocês já viram. Na pesquisa CNI/Ibope, Lula (PT) aparece com 44% das intenções de voto, o tucano Geraldo Alckmin está com 25%, e Heloísa Helena, do PSOL, com 11%. O presidente ainda vence a disputa no primeiro turno. Em caso de segundo turno, Lula aparece com 50% contra 36% de Alckmin. É mais uma pesquisa que integra o bolo que aponta para uma tendência: a existência de segundo turno. Por quê? Porque o horário eleitoral só começa no dia 15 de agosto, e ele tende a mexer com esses números. Tudo vai depender, claro, das campanhas. Se o PSDB e o PFL partirem para cima de Lula, colando a obra à pessoa, é possível reverter esse quadro, embora seja difícil. Os votos espontâneos trazem um sinal importante: nesse levantamento, Lula sobe de 27% para 31%, e Alckmin passa de 4% para 14%. Considerando que, segundo o levantamento do CNI/Ibope de junho, a diferença entre Lula (53%) e Alckmin (29%) era de 24 pontos e agora é de 14, pode estar em curso uma migração de votos de indecisos para o candidato tucano. Lula pode comemorar o fato de que ainda mantém a vitória no primeiro turno; Alckmin, a possibilidade que se mantém de disputar o segundo. São comemorações distintas, é claro. Haja suor.

A enquete


E vocês gostam das enquetes, né? Me dá um trabalho pensar sobre coisas simples... Mas tudo bem. Deixo as complexas para os outros blogueiros. Vamos lá. Hoje, vamos opinar sobre o Direito Natural.

Dada a afirmação de Spinoza, na "Ética", segundo a qual “cada um existe por supremo Direito Natural e faz o que decorre da necessidade de sua natureza”, podemos afirmar que:

a) Ele está retomando a concepção dos estóicos, que consideram que o Direito Natural corresponde à necessidade de todo ser de adequar-se à ordem racional do todo;
b) Hobbes ignorou completamente Spinoza quando falou sobre o estado da natureza;
c) Spinoza estava antevendo que, um dia, Marilena Chaui cantaria, como Dalva de Oliveira: “Errei, sim/ manchei o teu nooomeee...”
d) Lula é o melhor intérprete de Spinoza; a cada vez que ele diz “Ou seja”, ilumina-se o céu da Razão;
e) Spinoza só seria suplantado por José Genoino quando definiu o paradigma da nova ética: “Uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa”

Sanguessugas: o mistério de um senador de SP

Vocês lerão, duas notas abaixo, que Luiz Antônio Vedoin, o sócio da Planam, que pagou propina para quase um quinto do Congresso Nacional e, diz ele, para intermediários do Ministério da Saúde, sugeriu à CPI que se investigassem as verbas da Pasta que eram direcionadas, mas não por meio de emendas. E, nesse caso, ele citou o nome de um senador. Este blog apurou que o senador a que ele se refere é de São Paulo. Sim, disse Vedoin, o senador que merece ter rastreados os seus esforços é de São Paulo... Como todo mundo sabe, só há três: Romeu Tuma, do PFL, e os petistas Eduardo Suplicy, candidato à reeleição, e Aloizio Mercadante, candidato ao governo do Estado. Mais uma tarefa a que deve se dedicar o jornalismo investigativo... Huuummm. Sejam sutis nos comentários...

No Painel da Folha, o inútil esforço dos petistas para implicar Serra e livrar a cara do partido

No corpo da Folha de S. Paulo, o leitor não encontra a informação, mas o leitor do jornal tem o Painel, sob o comando de Renata Lo Prete. E ali se pode ler:

“Virou comédia a ação da tropa de choque mobilizada pelo PT para acompanhar o depoimento de Luiz Antonio Vedoin. Os deputados Eduardo Valverde (RO) e Fernando Ferro (PE), pouco vistos na CPI dos Sanguessugas, juntaram-se ontem ao senador Sibá Machado (AC) na tentativa de extrair do chefe da máfia acusações ao governo anterior. Não deu certo. Valverde perguntou quatro vezes sobre eventual envolvimento de José Serra. O depoente negou e disse que o esquema prosperou no atual governo. "Antes, ninguém vendia facilidades." Sibá tentou isentar a colega Serys Shlessarenko (MT) culpando seu genro. Vedoin: "Então ela devia trocar de genro, porque fazia as emendas, e ele ficava com o dinheiro".

Dublê. Perguntaram a Vedoin se Ney Suassuna sabia dos contatos de seu assessor com a máfia. O depoente caprichou na ironia: "Se o Marcelo tinha tanto poder, devia ser ele o senador".

Desilusão. Eduardo Valverde ainda tentou enaltecer o trabalho da CGU na descoberta do escândalo. Outro tiro na água: Vedoin disse que foi descoberto porque um desafeto o denunciou à Receita.

Casquinha. Encerrada a intervenção de Valverde, Heloísa Helena se deleitou: "Tudo o que a oposição podia fazer ele fez com maestria".

Paralelo. Vedoin disse que José Airton Cirilo negociou com o governo do Piauí por não ter acesso ao do Ceará. O petista, porém, operava com prefeituras cearenses.
Para ler todo o Painel, clique aqui

E Vedoin vai dando novas pistas

Por Fausto Macedo, Sônia Filgueiras e Eugênia Lopes, no Estadão de hoje: “O empresário Luiz Antônio Vedoin fez revelações ontem à CPI dos Sanguessugas que derrubam a defesa da maior parte dos congressistas acusados de envolvimento com a máfia das ambulâncias, abrindo caminho para um processo de cassação em massa. Fechou-se o cerco sobre os parlamentares que receberam dinheiro em espécie e sobre aqueles que estão tentando atribuir a culpa a assessores. ‘Ele foi incisivo, claro, preciso e até avexado, como se diz no Nordeste, para responder às coisas com a devida precisão’, disse o vice-presidente da CPI dos Sanguessugas, Raul Jungmann (PPS-PE). Vedoin revelou os nomes de mais dois deputados que estariam associados a fraudes com emendas. ‘Esses deputados devem ser notificados de imediato’, declarou Jungmann. O vice-presidente da CPI informou que Vedoin fez referência a um senador, cujo nome não revelou, que teria conseguido direcionar a liberação de R$ 20 milhões do Ministério da Saúde. A menção foi feita na hora em que ele recomendava à CPI que não se restringisse a investigar emendas, rastreando também os pagamentos ‘extra-orçamentários’ - liberações de recursos do ministério, aos quais a Planam tinha pouco acesso.” Clique aqui para ler mais

Conforme você leu aqui anteontem: Constituinte é golpe e é inconstitucional

Anteontem, como vocês sabem, afirmei aqui neste blog que a proposta de uma Constituinte era um golpe. E também alertei para o fato de que é inconstitucional. Fiquei feliz ao ler o Estadão nesta sexta. Por Mariangela Gallucci e Gabriel Manzano Filho: "‘Uma Constituinte nesses termos cheira a golpe’, reagiu ontem em Brasília o professor de direito constitucional e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Velloso ante a proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de convocar uma Assembléia Constituinte para fazer a reforma política. O mesmo comentário - "tem cheiro de golpe" - foi feito em São Paulo por Goffredo da Silva Telles, um dos mais renomados constitucionalistas do País, para quem o Brasil vive ‘uma época negra’. ‘O risco é imenso’, completou outro estudioso de assuntos constitucionais, o professor Celso Antônio Bandeira de Mello, titular de direito administrativo da PUC de São Paulo. E uma Constituinte ‘só pode ser convocada em momentos de ruptura, e isso não ocorre ainda’, lembra o professor e advogado Everson Tobaruela, do Comitê de Direito Político e Eleitoral da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Para Velloso, ‘é despropositada’ a idéia de uma Constituinte agora. "Não estou dizendo que o presidente tenha essa pretensão (de golpe). Mas todo governante com pretensões cesaristas começa convocando Constituinte. Foi o que aconteceu com Hugo Chávez, na Venezuela, e Pinochet, no Chile.’ Goffredo adverte que a idéia é inconstitucional." Clique aqui para ler mais

Limitar a CPI "é uma estupidez"

Por João Domingos no Estadão desta sexta: "Uma estupidez. É só isso que posso achar", disse o senador Pedro Simon (PMDB-RS) em reação à proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de limitar o trabalho das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), acabando com o poder que elas têm de quebrar sigilos bancário, fiscal e telefônico. "Nunca vi coisa tão absurda", complementou ele. ‘O presidente Lula tem andado em muito má companhia", disse o líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ). "Ele tem tido recaídas baseadas no autoritarismo de pessoas com as quais convive, como Hugo Chávez (presidente da Venezuela) e Evo Morales (presidente da Bolívia). O autoritarismo do presidente está claro’, afirmou.” Clique aqui para ler mais

Empresário complica a vida de governador do PT: "Sei descrever com detalhes o gabinete dele"

Por Adriano Ceolin e Ranier Bragon, na Folha de hoje: “Em depoimento fechado de sete horas à CPI dos Sanguessugas, o empresário Luiz Antonio Trevisan Vedoin, 31, reafirmou que cerca de 90 congressistas participaram da fraude e insinuou que esquemas ‘paralelos’ de desvio podem estar ocorrendo no Executivo. Vedoin, que é um dos donos da Planam, que chefiaria a máfia da venda de ambulâncias superfaturadas, disse não ter tratado pessoalmente com nenhum dos quatro ex-ministros da Saúde que chefiaram a pasta durante o funcionamento do esquema, entre 2001 e este ano, mas confirmou ter se encontrado por três vezes com o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), para tratar de interesses da quadrilha: ‘Sei descrever com detalhes o gabinete dele’, disse Vedoin. Segundo ele, o governo do Piauí teria, entre 2003 e 2004, tentado adquirir ambulâncias do esquema. Dias nega envolvimento. O depoimento de Vedoin repetiu o que ele havia dito à Justiça em 11 de julho, interrogatório que serve de base para as investigações da CPI contra cerca de 90 deputados e 3 senadores. "Foi um depoimento elucidativo, detalhado e verossímil sob todos os aspectos", afirmou o presidente da CPI, o deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), para quem já há provas para abrir processo de cassação contra ‘um elevado número de parlamentares’. Ao menos um nome novo apareceu no depoimento de ontem: o de Alexandre Santos (PMDB-RJ), embora não supostamente ligado ao esquema. Segundo os relatos, Vedoin disse que Santos ‘negociava’ emendas ao Orçamento.” Clique aqui para ler mais

E Planalto segue tentando manietar CPI

E tem prosseguimento a tentativa do Planalto de meter o nariz no Congresso e manietar as CPIs. No Globo de hoje: “Mesmo com a polêmica provocada, o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, envia hoje aos presidentes da Câmara, Aldo Rebelo, e do Senado, Renan Calheiros, o estudo encomendado pelo governo sobre o funcionamento de CPIs. Ele nega tratar-se de ingerência do governo no Congresso e diz que o estudo dos juristas fala apenas em ‘disciplinar’ as CPIs. “Entender isso como ingerência é uma visão semi-feudal de que o Parlamento não pode ser fiscalizado pelo povo. É um equívoco do ponto de vista democrático”, disse Tarso. O ministro afirmou que os dez juristas que elaboraram o estudo não receberam pagamento do governo. Mas sua assessoria informou que eles tiveram passagens e diárias pagas pelo governo para uma reunião sobre o assunto em São Paulo. Os juristas receberam essa ajuda na condição de “colaborador eventual” do governo, rubrica prevista na legislação, e as despesas estão registradas no Siafi. “Eles apresentaram sua opinião sem remuneração, graciosamente. Fiz um pedido informal a eles porque o presidente queria saber se o que ocorria na CPI dos Bingos estava dentro da lei”, disse Tarso, ressaltando que o documento não propõe mudanças na legislação sobre CPIs.” Clique aqui para ler mais

E Lula insiste na tolice

É preciso que a gente dê respeitabilidade à política brasileira e vá atrás de uma reforma. Eu penso que é uma polêmica boa. Aprecio muito a idéia, acho que a idéia é genial. Ela poderia acontecer, poderia ser discutida, e não precisa ser do Poder Executivo. Eu já tenho muita coisa para fazer. Pode ser do Congresso Nacional, pode ser dos partidos políticos, pode ser da sociedade. Que a gente possa, definitivamente, ser um país, não apenas grande, independente e sério na economia, mas que a gente possa também, na política, ser exemplo para o mundo”. É o Apedeuta num de seus delírios retóricos, defendendo a sua “Constituinte”. Ele visitava o estaleiro Brasfels, em Angra dos Reis. Só faltou Ives Gandra (ver abaixo) estar presente para aplaudir. Não dá mais. Esse assunto já cansou. Veja tudo o que disse o Babalorixá em matéria de Cláudia Lamego, no Globo de hoje, clicando aqui

Ives Gandra diz uma tolice monumental!

Há uma coisa que o advogado Ives Gandra nunca soube: a hora de silenciar. Quando eu trabalhava em jornal, e havia um debate sobre qualquer assunto, sempre era preciso achar alguém que dissesse que algo era “inconstitucional”. E havia a blague: “Chamem o Ives”. Era batata! Pois é. Desta vez, o “Ives” surpreendeu. Em vez de dizer o ululante, que uma constituinte só para votar a reforma política é inconstitucional, ele se saiu com uma das maiores bobagens já ditas no país nos últimos anos. Vejam o que falou ao Globo: “Sou favorável à proposta, desde que tenha respaldo popular e que seja uma Constituinte exclusiva, ou seja, que qualquer cidadão possa concorrer, menos políticos. Caso contrário, não haverá reforma alguma. Se não for assim, é uma bobagem, porque hoje já há diversos projetos tratando da reforma política no Congresso Nacional e os políticos nunca tiveram interesse em fazê-la”. Qual é o princípio jurídico, doutor? O povo é favorável a linchamentos e pena de morte. Eu sou contra. E quero que o povo se dane se ele é a favor. E o senhor? Tudo o que o povo defender deve ser endossado por nós? E que história é essa de “político” não poder participar de uma constituinte — se constitucional ela fosse? O senhor, por acaso, anseia por uma sociedade sem política? O poder ficaria entregue a quem? Às corporações de ofício? Nem um petista de carteirinha diria uma asneira desse tamanho. Ives se igualou a alguns “acadêmicos” de meia-tigela que andaram falando coisas semelhantes ao longo do dia. Falando ao mesmo jornal, opuseram-se à tese o jurista Carlos Roberto Siqueira Castro, professor de direito constitucional da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), e, para minha surpresa, confesso, o petista de carteirinha Dalmo de Abreu Dallari. Há uma monte de coisas em que concordo com Ives Gandra. Talvez sejamos próximos ideologicamente em muitos assuntos. Por isso eu o censuro com ainda mais energia. A tolice que nos é próxima merece um combate mais duro do que a que está distante de nós. Clique aqui para ler mais

No dia em que falha golpe para implicar Serra, o PT consegue se enrolar ainda mais

Nem a vergonhosa operação das fotos deflagrada ontem para tentar tirar o PT no alvo no caso dos sanguessugas foi capaz de negar o óbvio: o partido está enrolado. E ponto final. Já tem petista pedindo que o presidente da sigla, Ricardo Berzoniev, tome providências. Mas Berzoniev, como sabemos, prefere ficar atacando José Serra. Leia no Globo, por Bernardo de la Peña e Maria Lima: “Num depoimento de mais de sete horas a integrantes da CPI dos Sanguessugas, o empresário Luiz Antônio Trevisan Vedoin reforçou ontem as acusações contra o líder do PMDB no Senado, Ney Suassuna (PB), e também complicou a situação de petistas. Um dos principais alvos das revelações de Vedoin foi José Airton Cirilo, integrante do diretório nacional do PT e candidato do partido ao governo do Ceará em 2002. As acusações contra Cirilo levaram parlamentares a defender que seja aprofundada a investigação sobre as relações da Planam, empresa da família Vedoin, com o Ministério da Saúde na gestão do ex-ministro Humberto Costa (PT). Vedoin negou ter tido contatos com o ex-ministro, mas citou Francisco Rocha, o Rochinha, ex-braço direito de Humberto Costa e que seria o homem responsável pelo pagamento de emendas no ministério. Vedoin disse, segundo os deputados, que Rochinha seria o interlocutor de Cirilo no governo. O deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) já apresentou requerimento para convocar Rochinha, que é amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e um dos coordenadores da campanha pela reeleição no Nordeste. ‘Ficou caracterizada a participação do Zé Airton (Cirilo). Ele vai ter de prestar esclarecimentos porque usava interferência e tráfico de influência para negociar dívidas que ficaram como restos a pagar em 2003. Há ainda a citação de muita gente próxima do ministro e do governo, pessoas que de certa forma autorizavam o repasse e a liberação das emendas através da Casa Civil’, afirmou Júlio Delgado (PSB-MG), sub-relator da CPI. Representante do PT na CPI dos Sanguessugas, o deputado Paulo Rubem Santiago (PE) fez um apelo ao presidente do PT, Ricardo Berzoini, para que seja aberto um processo na comissão de ética do partido contra Cirilo. Segundo Santiago, existem provas cabais contra o petista. Vedoin contou ter feito depósitos nas contas de dois assessores de Cirilo, José Caubi Diniz e Raimundo Lacerda Filho. Segundo Vedoin, a MC Lacerda, empresa dos assessores no Ceará, recebeu depósitos da máfia a título de adiantamento pela liberação de emendas. Santiago defendeu a expulsão de Cirilo.” Clique aqui para ler mais

Quinta-feira, Agosto 03, 2006

Fascistóides

Há uma tolice perigosa em certas mentalidades “neste país”, como diria o Apedeuta. Caso se prove que todo mundo é igual, mesmo que não seja, sairia ganhando a opinião pública, que então estaria mais preparada para se defender do discurso político, que, então, é tomado como fonte originária do mal. Como se pudesse haver alguma democracia ou sociedade civilizada que prescindisse da política. Trata-se de uma mistificação e de uma brutalidade. Os meios para enlamear todo mundo e tentar triunfar, puro, sobre toda coisa viva são fascistóides. Até parece que, se desmoralizadas todas as instâncias públicas de representação, estaríamos mais protegidos por aqueles que passariam a ser os detentores da verdade, então privatizada. É o espírito deste tempo: são contra privatizar siderúrgicas, mas querem ser donos da verdade.

Cadê a informação? 3

Faz 16 horas que Fernando Rodrigues postou as fotos. Até agora, ele não noticiou em seu blog que Luiz Antonio Vedoim reiterou à CPI que Serra nada tem a ver com a máfia dos sanguessugas. Pelo visto, é uma informação que não interessa a seu blog.

Está morto

Por mais que esse episódio das fotos de hoje deponha contra a inteligência e, obviamente, contra certo tipo de jornalismo, não deixa de ser positivo que tenha acontecido. Expõe-se a farsa dos que se pretendem comprometidos apenas com os fatos. O que está em curso no país, e já faz tempo, é um tipo perverso de distribuição partidária de más notícias. Se o PT é atingido por uma onda de fatos — e não de mentiras — que não lhe é favorável, será forçoso pôr alguma coisa no outro prato da balança, tenha ela peso ou não. E o país que se dane. Assim procedendo, o jornalista e o veículo podem dizer que têm o rabo preso apenas com o leitor, com a verdade, com a história — ou que outra mistificação se ponha no lugar. Nada, no entanto, concorre mais para a injustiça e para privilegiar o banditismo do que igualar os desiguais. É um tipo de jornalismo que está em decadência, que seduziu alguns durante um bom tempo, que enganou outros tantos por mais algum. Mas a própria democratização da tecnologia da informação, com a Internet, veio tirar o monopólio tanto dos donos da verdade como dos donos da isenção. É um passado que se nega a passar, que esperneia, mas que já não rende mais frutos. Acabou.

Só o aperitivo

O que se viu hoje com o episódio das fotos que tentaram, sem conseguir, arrastar Serra para a lama foi só um aperitivo do que vem por aí. E a blogosfera, mais do que nunca, será usada na guerra. A senha tinha sido dada há alguns dias por Valer Pomar, um dirigente do PT. Sim, Serra esteve naquelas solenidades, não é mentira. Mentirosa é toda a cadeia de ilações que tentou metê-lo no pântano petista. Como dizia a campanha publicitária de um antigo jornal, “é possível mentir dizendo apenas a verdade”. E nisso eles são especialistas.

Cadê a informação? 2

Faz 15 horas que Fernando Rodrigues postou as fotos. Até agora, ele não noticiou em seu blog que Luiz Antonio Vedoim reiterou à CPI que Serra nada tem a ver com a máfia dos sanguessugas. Pelo visto, é uma informação que não interessa a seu blog.